domingo, 10 de novembro de 2013

a chuva que vira tempestade dentro de copos.

Aquela tal dança em que eu te embalava já está em baixos volumes. Aquela tal sorte única de só você poder sentir e saber o que ninguém jamais imaginou, a beleza da rebeldia que você via. Isso tá tudo mal escrito, sem sentido, fraco e superficial. Logo tu, que sempre se achou tão concreto, tão correto, tão certo. Não sabe mais porque fica. Mesmo sem embora, não sabe. Eu só esperava a tua sensatez, aquela que sempre vinha me mostrando, e não me tratar por menor como tem feito. Ando tão só que só te sinto quando se faz presente. E, por mais redundante que isso possa parecer, não era pra isso acontecer.
És tão imaturo e tão inseguro que se esconde entre as pernas da Senhora Autossuficiência por não saber lidar com o que realmente quer pra si ou pensa que conhece. 
E eu aqui, mesmo tendo a plena certeza de que nada mais disso existe, fico. Fico. Sim. Mesmo sabendo. Pois algumas coisas não mudam, mas como saber? Quero tirar essa dúvida.
Você bem sabe que aquela tal chuva me trouxe para você e quem sabe ela não me leva de volta...

sábado, 20 de julho de 2013

Vai chover, espero você aqui. Vai chover e um coração pequenino bate, fadigado, inundado de suas lembranças, seus sonhos, suas mais íntimas utopias e metáforas. Quem sobrevive ao frio sem o calor do abraço? Quem vive sem a evidência de outra existência? Vai chover e percebo que ainda não despertei. Percebo que minha própria mente se curva ao turbilhão de indefinições. Eu que me recolho por medo, que me defendo por medo. Estou trancafiado em suas metamorfoses. Sou presenteado ao descobrir que apenas eu sei aquilo que ninguém suspeita. Ninguém conhece a dança dos teus passos, ninguém sabe a doçura do seus beijos. Ninguém nunca sequer imaginou a melodia da sua rebeldia. Você é realmente como tinta em tela branca, uma guerra. Uma tempestade, um tornado. E em cada ato, em cada expressão bem representada, em cada dúvida e questionamento, ninguém duvida, não existe nada mais lindo. Não existe o medo, não existe a coragem. Não existe natureza humana que te prenda a um só comportamento. Você é uma boneca, com esses dois olhos absorvendo o mundo, cuidando dele. E por tua influência me curvo a essa loucura, a essa prazerosa e infinita utopia. Não sinto que devo mais me questionar, não sinto que devo fazer mais nada. Não quero fazer mais nada. De repente meu medo é de apenas te ter como uma lembrança. É com o laço do teu encanto que a inquietação me aprisiona a cada dia até o momento de te ver, flutuando, em uma só expressão de arte. Por favor, fique. Não te quero em outro lugar. A chuva está chegando e estou desvendando essas marcas que você restaurou em mim. Não devo me sentir só. Já sou louco. Sim, sou louco. Por tua plena presença sou louco. Vai chover, e só espero que a chuva te traga pra mim.
Gabriel David Siqueira

quarta-feira, 3 de julho de 2013

sentidos

Queria te sentir mais. Sentir a gente mais junto, mais unido. Não quero te invadir a privacidade mas não me importaria se invadisses a minha e agisse como se tua fosse. Na verdade, é o que eu quero. Te quero. Aqui. Como se fosse tão eu que só eu.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Let me in.

Meu bem, veja bem, omitir é a pior das mentiras. É a mentira que jamais pode ser descoberta por gestos de stress ou desconforto por simplesmente não terem sido expostas. Deixa-me sentir tuas mãos gélidas e perceber o suor frio que te escorre a pele. Deixa-me saber até onde sustenta doses de inverdade.
Me deixa saber o que se passa, já que você já pegou o trem que passou aqui dentro.

sábado, 18 de maio de 2013

Rascunho 1

Chega um ponto que você tenta ser você outra vez, impôr seus limites por mais que eles já tenham sido ultrapassados, fazer as pessoas te respeitarem outra vez, feito um politico pedindo redenção. Mas, assim como o político, que não tem mais credibilidade com ninguém, aqui estou eu: suja, machucada, sangrando, magoada, amando e sem o poder que tem uma pessoa que também é amada. Estou aqui sendo rasgada por dentro todas as vezes que não sou tratada como deveria por alguém que deveria, sim, me tratar como deveria. 
Perdi o poder porque amei demais. Me submeti a tudo que podia e que não podia pra tentar tornar tudo mais fácil - não pra mim -. Tudo que eu tinha foi embora junto com o meu amor próprio: meu poder de decisão, minha voz. 
Toda noite um pouco mais. Toda noite um pouco menos. Menos de mim. Mais dele.




((((Talvez Outubro, em uma das infinitas brigas que geravam crises de consciência e leve racionalidade.)))))

Tome tento

Daí você leva um tropeço da vida e ela te mostra que nada estava certo e que você se apagara diante de tudo e de todos e, ainda pior, achando que era o melhor para si.
Mentira, você sempre soube que não estava nada no lugar, mas, ainda assim, preferiu ficar lá. O motivo você sabe bem. Conforto. Ou até mesmo uma falsa ideia de amor ou uma falsa ideia de que esse "amor" venceria ou suportaria tudo.
Mas como? Como você deixou tanto tempo passar fingindo acreditar numa coisa que você sempre soube o contrário? Sempre soube que o que vence são as pessoas. O amor, sim, ele vence. Mas é você quem o faz.
Tome tento.
Pare.
Retome.
Não precisa ser tão lentamente como de costume.
Volte. E perceba que nada parou pra te esperar voltar. Pegue o bonde andando. Se reaprenda. Porque sem você, quem o terá? Tome as rédeas de si. Deixe de viver a vida que os outros esperam que você viva ou de ter opiniões que as pessoas esperam que você tenha. Por mais importantes que as outras pessoas sejam, você tem que ser suficiente pra si. E digo mais, se são tão importantes, elas merecem te conhecer.
Saí dessa rotina de viver rotina de outra pessoa. Desse conforto de beijar alguém como se fosse apertar o botão de mudar o canal de uma tevê sem qualquer empolgação. A vida é bem mais que isso. Inclusive, acredito que até o amor também seja.

Não era sobre nada disso que eu ia escrever.

Só lembro que era sobre um rapaz.

sexta-feira, 30 de março de 2012

conselhos de quem sabe

“Escreva sobre o que te dá medo, sobre o que te dá vergonha, sobre o que você ama. Escreva sem julgar, escreva sobre os outros. Escute conversas alheias, mesmo se as pessoas te parecerem estranhas. Ande de ônibus e de metrô e observe tudo. Lide com pessoas de diferentes profissões e idades. Não fique cercado por pessoas que tem a sua idade e fazem a mesma coisa que você. Aliás, fuja delas.”
— (Resposta de Pedro Almodóvar para uma cineasta iniciante, quando ela pediu um conselho)